Saia e Blusa: Um Novo “Estilo” de Transporte - 2ª Fase

Sistemas de Transportes
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O sistema saia e blusa perdurou por 14 anos. Durante este período sofreu algumas modificações para se ajustar aos novos comandos da prefeitura. Foi justamente por isso que o Portal do Ônibus optou por apresentar as peculiaridades de cada estágio destas gestões. Na 1ª etapa da abordagem, falou-se da introdução do sistema, das modificações operacionais de atendimento a partir do novo traçado, da caracterização dos veículos, das particularidades na numeração das novas linhas a partir da inauguração do Metrô, enfim.

A partir de agora, serão abordadas as nuances de um novo momento: a 2ª fase do sistema.

A primeira alteração a ser destacada é a mudança da razão social da Empresa de Ônibus Alto da Mooca para Viação Urbana Transleste que fazia parte do Consórcio Sudeste Transportes Coletivos, em parceria com a Companhia Auxiliar de Transportes Coletivos no lote 08 da área 3, Rosa.

Ônibus do Consórcio Sudeste Transporte Coletivos, formado pelas empresas Auxiliar e Transleste.

Além disso, durante esse mesmo período, houve mudanças nos lotes 04 e 20. A Viação Urbana Penha foi incorporada pela Empresa Auto-Ônibus Penha São Miguel, que atuavam em consórcio no lote 04, área 2, Amarela.

Já na área 8, Verde Escuro no lote 20, a Empresa de Ônibus Vila Ipojuca, que fazia parte do mesmo consórcio que a Gato Preto, teve a alteração da razão social para Viação Gato Branco.

A Vila Ipojuca adquirida pelo grupo Gatti em 1978, tem sua razão social alterada para Viação Gato Branco.

No momento de renovar suas autorizações para continuar operando no sistema, (gestão Reynaldo de Barros/1979-1982) as empresas tomaram ciência de que isso ocorreria de forma individual e que haveria uma singela modificação em suas numerações:  a partir dali,  o primeiro algarismo da sequência de seis seria retirado e todas as permissionárias ostentariam uma dezena de milhar nos seus prefixos (numeração composta por 5 algarismos), conforme determinação da portaria expedida pelo secretário Antônio Sampaio.

A Viação Bristol ocupava integralmente o lote 11 da área 4 - Azul Escuro.

Se houvesse mais de uma empresa no lote da dezena de milhar, seria feito desmembramento da prefixação que também fora autorizada na portaria. As empresas podiam solicitar individualmente uma de duas sequências numéricas distintas para identificação de seus respectivos ônibus, a saber, de 001 a 500 e de 501 a 999, cabendo-lhes a primeira ou a segunda desta sequência, conforme ordem alfabética.

Com o término do Consórcio Jabaquara, que ocupava o Lote 12 da Área 5 - Azul Claro, o contrato foi renovado diretamente com as empresas, dividindo as operações: de 12 001 a 12 500 para a Viação Paratodos...
...e de 12 501 a 12 999 para a TUPI - Transportes Urbanos Piratininga.

Vale destacar ainda que no momento da renovação do contrato houve a incorporação da Empresa Auto Ônibus Vila Pirituba à Viação Santa Brígida e logo após a empresa foi adquirida pelo Grupo Nossa Senhora do Ó.

Com a incorporação da Vila Pirituba, a Viação Santa Brígida assume a operação exclusiva do lote 21 da área 8, verde escuro.

Posto isso, a constituição dos lotes ficou a seguinte: 

01 000 – Auto Viação Brasil Luxo Ltda

02 000 – Auto Viação Nações Unidas

02 500 – Empresa Auto Ônibus Parada Inglesa Ltda

03 000 – Empresa Auto Ônibus Alto do Pari Ltda

04 000 – Empresa Auto Ônibus Penha São Miguel Ltda

05 000 – Viação Leste-Oeste Ltda

05 500 – Empresa de Ônibus Viação São José Ltda

06 000 – Auto Viação Tabú Ltda

06 500 – Auto Viação Pompéia Ltda

07 000 – Empresa de Ônibus Santo Estevam Ltda

07 500 – Empresa Auto Ônibus Vila Carrão

08 000 – Companhia Auxiliar de Transportes Coletivos

08 500 – Viação Urbana Transleste Ltda

09 000 – Empresa de Ônibus Vila Ema Ltda

09 500 – Empresa Paulista de Ônibus Ltda

10 000 – Auto Viação São João Climaco Ltda.

10 500 – Empresa Auto Viação Taboão S.A

11 000 – Viação Bristol Ltda

12 000 – Viação Paratodos Ltda

12 500 – TUPI - Transportes Urbanos Piratininga Ltda

13 000 – Viação Canaã

13 500 – Viação e Garagem Mar Paulista Ltda

14 000 – Viação Bola Branca Ltda

14 500 – Viação Nossa Senhora do Socorro Ltda

15 000 – Auto Viação Jurema Ltda

16 000 – Empresa São Luiz de Viação Ltda

17 000 – GATUSA - Garagem Americanópolis de Transportes Urbanos S.A.

17 500 –  Viação Tânia de Transportes Ltda

18 000 –  Viação Bandeirante Ltda

18 500 – Viação Auto Ônibus Santa Cecília Ltda

19 000 – Viação Castro Ltda

19 500 – Viação Santa Madalena

20 000 – Viação Gato Preto Ltda

20 500 – Viação Gato Branco Ltda

21 000 – Viação Santa Brígida Ltda

22 000 – TUSA - Transportes Urbanos Ltda

23 000 – Viação Brasília S.A.

Também foi autorizado que as empresas, para se diferenciar uma da outra, pudessem usar uma cor ou detalhes diferentes na parte da blusa como foi o caso da Viação Castro e Viação Santa Madalena. O Mesmo aconteceu com a Gatusa e a Tânia: havia detalhes para diferenciação na cor do para-choque, no teto e cor das rodas.

No caso do lote 17 da área 6 - Vermelho, ambas as empresas mantiveram a mesma pintura na "saia e blusa". Para identificar cada empresa, além da sequência do prefixo, era possível reconhecer as diferenças na pintura. No caso da GATUSA, o teto, o para-choque e as rodas eram pintados de vermelho.
Na empresa Tânia, os prachoques e rodas eram prateados, e o teto, azul.

“O tempo não para” e entre os anos 1983 e 1985 (gestão Mário Covas), novas contribuições também trouxeram marcas para o sistema.

Em 21 de novembro de 1983, entrou em vigor a Lei 416/83 de autoria do vereador Walter Feldman para que a CMTC e suas concessionárias estampassem os seguintes dizeres na parte externa dos veículos, cuja justificativa pretendia enfatizar a necessidade da conscientização dessa reciprocidade:

 

TRANSPORTE:
UM DIREITO DO CIDADÃO,
UM DEVER DO ESTADO.

 

Ainda em 1983, ocorreu um episódio de grande relevância para o setor de transporte rodoviário, cuja importância será elucidada adiante: a aquisição da Viação Santa Madalena pelo Grupo Gatti, que era composto pelas empresas Viação Gato Preto, Viação Gato Branco e Gatti Turismo.

A aquisição da Viação Santa Madalena pelo Grupo Gatti resultou na atualização da pintura dos ônibus, que passaram a adotam uma tonalidade de bege na parte superior igual à utilizada nas frotas das empresas Gato Preto e Gato Branco.

Em janeiro de 1984, a Viação Santa Amélia foi incorporada à Viação Brasília S.A. No entanto, vale ressaltar que, antes dessa incorporação, a Viação Santa Amélia já operava sob a denominação de Viação Brasília.

A incorporação da Viação Santa Amélia pela Viação Brasília não alterou a aparência externa dos ônibus, que já exibiam o nome da Viação Brasília.

Em fevereiro de 1984, 38 das 46 empresas operadoras do sistema enfrentaram intervenção da Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC) devido à ameaça de redução na oferta de ônibus em decorrência da grande alta do preço do petróleo. Durante este tempo, foram identificadas diversas irregularidades. Constatou-se que algumas empresas forneciam informações incorretas à Companhia. Após um acordo com a Transurb (sindicato das empresas) e a regularização das contas das empresas, a CMTC foi, gradativamente, suspendendo as intervenções.

Os últimos fatos ocorridos em 1984 foram a incorporação da Viação Leste Oeste à Empresa Auto-Ônibus Viação São José, que já detinha participação societária na empresa desde 1978.

A Viação Leste Oeste foi incorporada à Empresa Auto Ônibus Viação São José.

Além disso, ocorreu a aquisição da parte societária da Viação São João Clímaco pela Empresa Auto Viação Taboão, que iniciou o processo de incorporação. Este processo de incorporação somente foi concluído em 1988.

José Ruas Vaz adquiriu a São João Clímaco e incorporou a empresa à Taboão.

Ainda neste ano, a Empresa Auto Ônibus Vila Carrão foi vendida para um grupo de empresários carioca e mudou o nome para Empresa Auto Ônibus São Mateus. Esta, porém, não teve muita duração no sistema, falindo no ano seguinte. Suas linhas foram assumidas pela CMTC.

Um grupo de empresários carioca adquiriu a empresa Vila Carrão, renomeando-a para Empresa Auto Ônibus São Mateus Ltda.

Destacaram-se ainda dois fatos importantes: a compra da Viação Urbana Transleste e Viação Canaã pelo Constantino de Oliveira, mais conhecido como Nenê Constantino e a falência da cia. Auxiliar de Transportes Coletivos que gerou um impacto significativo no transporte público da zona leste da cidade. A empresa era operadora de 9 linhas na região. 

Com o fim do Consórcio Sudeste e a falência da Cia. Auxiliar, a Transleste passou a operar sozinha, com nova identidade visual o lote 08.
  • 314A – Conj. Hab. Teotônio Vilela – Pça Almeida Júnior
  • 314C – Vila Júlio – Pça. Almeida Júnior
  • 319C – Jd. Grimaldi – Pça. Princesa Isabel
  • 372R – Pq. São Rafael – Metrô Belém
  • 372Y – Vila Nova York – Metrô Belém
  • 3119 – Jd. S. Eduardo – Pça. do Correio
  • 3123 – Conj. Mascarenhas de Moraes – Pça do Correio
  • 3753 – Conj. Mascarenhas de Moraes – Metrô Belém
  • 3757 – Lar Nacional – Metrô Belém

Para atender a necessidade da população, a Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC) firmou um contrato de dois anos com a Viação Canaã, operadora da zona sul na época, para que esta assumisse a operação das 9 linhas da Auxiliar. Aqui ela já pertencia ao “grupo dos mineiros” que estava se expandindo dentro do sistema. Porém, ao contrário do que se esperava, a operação dos mineiros também apresentou queda considerável na prestação de serviços.

Algumas carrocerias que já haviam sido desativadas por ambas, foram novamente agregadas, mas desta vez, oriundas de outra empresa do sistema, como os modelos San Remo, por exemplo, que vieram da cia. Auxiliar e da Transleste.

A Canaã operou o setor da zona leste com 116 veículos. Durante sua operação, foi alvo de diversas reclamações não só da má condição dos seus veículos como também da má qualidade dos serviços prestados (fonte Jornal do Bairro). Evidente que a péssima operação chamou a atenção do prefeito que interviu nesta empresa.

A Viação Canaã obteve a permissão para operar no lote da Auxiliar por um período de dois anos.

Quando o contrato estava prestes a ser renovado (1986), a Viação Canaã decidiu, então, desistir dessa operação que foi assumida pela CMTC para a normalização dos serviços.

Para tanto, a Companhia trouxe para a região 176 ônibus novos de sua frota. Essa mudança foi vista como uma alternativa necessária para melhorar a qualidade do transporte público naquele setor e atender melhor à população, que clamava por um serviço mais eficiente e confiável. A atuação da CMTC, nesse contexto, buscou reestabelecer a confiança dos usuários no sistema de transporte coletivo.

Ônibus da CMTC designado para operar a linha 372Y - Vila Nova York / Metrô Belém, substituindo a Viação Canaã.

A Canaã, após este fracasso de operação, retorna para a Zona Sul. Nesse mesmo ano, o Grupo Vida decide vender a Viação e Garagem Mar Paulista para Nenê Constantino, um movimento que impactaria o panorama do transporte na zona sul. A Mar Paulista, já sob a administração de Nenê Constantino, integra-se à Viação Canaã, levando à mudança da razão social para Viação Urbana Zona Sul, refletindo uma nova estratégia de operação e expansão lote 13 da na área 5, Azul Claro.

Ônibus reformado da Viação Canaã opera sob a nova razão social Viação Urbana Zona Sul.

A história do transporte público em São Paulo ganhava novas dimensões a partir de 1985, quando a Viação Santa Madalena passa a administrar também o lote 20 500 na área 8 – Verde Escuro, resultado da incorporação da Viação Gato Branco.

A Viação Santa Madalena incorpora a Viação Gato Branco e passa a operar no lote 20 da área 8, verde escuro.

Em 17 de janeiro de 1987, a Viação Brasília – que pertencia ao grupo Engemix - sofreu intervenção em decorrência do não recolhimento de impostos municipais, estaduais e federais. A empresa não recolhia FGTS, pagava salários atrasados, não pagava direitos trabalhistas, além da avaliação de péssima prestação de serviços. Tudo isso agravou ainda mais a situação perante as considerações de Jânio Quadros. Por este motivo, o prefeito encampou a viação e incorporou os seus veículos à CMTC.

Ônibus da Viação Brasília antes da intervenção.
Da frota de 113 veículos, a CMTC desapropriou os 47 ônibus mais novos, integrando-os à sua frota, e assumiu as 15 linhas da Viação Brasília, encerrando, assim, sua concessão.

Em abril de 1987, Belarmino da Ascenção Marta, dono da Auto Viação Brasil Luxo adquiriu a Auto Viação Pompeia e alterou sua razão social para Viação São Paulo. Mas não foi só a alteração da razão social que ocorreu: houve também uma mudança de cor na pintura na “blusa” que perdeu o azul e passou a ser branco.

Com a aquisição da Auto Viação Pompeia pelo empresário Belarmino resultou na alteração da razão social para Viação São Paulo, acompanhada pela mudança estética da frota.

 No mesmo período, a Santo Estevam chega à Zona Norte, operando com carros ex-Rio. 

A CMTC transferiu parte das linhas da antiga Viação Brasília para a Santo Estevam, que por sua vez, incorporou veículos da extinta Viação Auto Dinâmica do Rio de Janeiro para operar no lote 23.
Aos poucos, os veículos receberam as cores do sistema, mantendo o padrão da Área 3 - Rosa. O lote 07 da Santo Estevam também foi preservado, mesmo operando linhas do lote 23 na Área 9, Verde Claro.

E, em meio a todas as adversidades que surgiam, o sistema ia se ajustando para atender a demanda de passageiros e manter seu funcionamento dentro do mais eficiente possível. Porém, atentos aos problemas e reclamações das empresas (sobretudo as interditadas), era preciso pensar numa nova forma de gerir este sistema. Esta era uma atitude mais que urgente para evitar um caos iminente. É assim que surgem os primeiros passos de uma nova gestão. É o que o Portal chamará de 3ª fase do sistema visto que algumas características ainda estarão mantidas. Começa um momento de transição entre o Saia e Blusa e o processo que poderia ser chamado de pré-municipalização. Este será o tema de nossa próxima matéria.

Artigos Anteriores:
São Paulo e CMTC - A Marca do Transporte
Saia e Blusa: Um Novo “Estilo” de Transporte - 1ª Fase

Leia também:

Você Sabe Andar de Ônibus em São Paulo? - Parte I

 


Vamos relembrar algumas fotos da época.

Lote 01 - Auto Viação Brasil Luxo
Lote 02 - Auto Viação Nações Unidas
Lote 02 - Empresa Auto Ônibus Parada Inglesa
Lote 03 - Empresa Auto Ônibus Alto do Pari
Lote 04 - Empresa Auto Ônibus Penha São Miguel
Lote 05 - Empresa Auto Viação São José
Lote 06 - Auto Viação Tabú
Lote 06 - Auto Viação Pompeia
Lote 06 - Viação São Paulo
Lote 07 - Empresa de Ônibus Santo Estevam
Lote 08 - Viação Urbana Transleste
Lote 09 - Empresa de Ônibus Vila Ema
Lote 09 - Empresa Paulista de Ônibus
Lote 10 - Auto Viação São João Clímaco
Lote 10 - Empresa Auto Viação Taboão
Lote 11 - Viação Bristol
Lote 12 - Viação Paratodos
Lote 12 - TUPI - Transportes Urbanos Piratininga
Lote 13 - Viação Canaã
Lote 13 - Viação e Garagem Mar Paulista
Lote 13 - Viação Urbana Zona Sul
Lote 14 - Viação Bola Branca
Lote 14 - Viação Nossa Senhora Socorro
Lote 15 - Auto Viação Jurema
Lote 16 - Empresa São Luiz Viação
Lote 17 - GATUSA - Garagem Americanópolis de Transportes Urbanos
Lote 17 - Viação Tânia de Transportes
Lote 18 - Viação Bandeirante
Lote 18 - Viação Auto Ônibus Santa Cecília
Lote 19 - Viação Castro
Lote 19 - Viação Santa Madalena
Lote 19 - Viação Santa Madalena
Lote 20 - Viação Gato Preto
Lote 20 - Viação Santa Madalena
Lote 21 - Viação Santa Brígida
Lote 22 - TUSA - Transportes Urbanos
Lote 23 - Viação Brasília